04 novembro 2017

Ruas da minha vida


Quase nunca prestamos atenção em lugares que passamos (ruas, praças, avenidas) lugares que são caminhos e não o destino final, geralmente eu penso: será que voltarei aqui algum dia? Quem será que já passou por aqui? Outras vezes eu simplesmente passo. 
Pretendo um dia sair para fotografar: ruas, estradas, rodovias, jardins, lugares secundários de viagens aleatórias. São tantas coisas fúteis que nos prendem a memória, por que um lugar tão significativo como um caminho não fica para sempre na lembrança?
Lembro dos dias de tempestade (assim como hoje) uma ventania exacerbada, trovões ecoando e raios cortando o céu e no meio de tudo isso, uma jovem com sua criança correndo para um lugar seguro, calma não é enredo de filme..é só uma lembrança: minha mãe e eu morávamos sozinhas quando eu era pequena e ela temia qualquer manifestação de tempestade, logo me arrumava segurava a minha mãe e dizia corre, fugindo para casa da minha avó. Fugindo para um lugar seguro e nessas fugas nada passava despercebido para uma garotinha de 5 anos, as ruas, o vento, as arvores..pessoas sem guarda chuva que também fugiam..um caminho que talvez nunca consiga refazer.
Caminho, uma só palavra e tantos significados não é? Por muito tempo temi passar a vida por ruas tortas, refletindo o que passei na infância, medo da repetição, me anulei em diversos momentos, abri mão de lutas que nem sabia se ganharia, tudo para seguir o caminho que parecia correto, parecia. Quando foi que dada as opções nós somente deixamos que decidam pela gente?fazemos o que parece certo, sendo que na verdade não é o que te deixa feliz.
Todo dia, todo o tempo, penso nas  pessoas  com quem convivo, com quem pretendo conviver e é nelas que baseio meus atos, minhas decisões, minhas promessas, o triste é que nenhuma delas jamais perguntou o que eu realmente queria fazer, por onde eu queria ir. Novas ruas, novos caminhos, hoje quero unica e exclusivamente decidir qual rua pegar,com quem conversar, o que dizer.
Quero por um momento que seja, ser eu mesma, e fazer com que as histórias que habitam minha mente se tornem reais, mesmo que no mundo real elas não sejam tão grandiosas, mesmo que não sejam corretas, mesmo que não agrade a todos.
Ninguém mora dentro de mim, ninguém pensa, sofre ou vibra por mim então por favor me deixem decidir, que rua pegar se for perigosa haverá os que me protegerão, se for a certa eu saberei, e se ainda não existir...está na hora de criar novas ruas.


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