16 abril 2018

Eu, eu mesma e o cinema


Um caminho sem volta. Hoje em dia consigo usar essa frase para quase tudo, em especial para aquelas coisas que eu sempre achei supérfluas, mas por motivos diversos, agora considero como parte do meu gosto pessoal e “faço questão” delas. Minha relação com cinema sempre foi inexistente, talvez por ter nascido e vivido quase 20 anos em uma cidade sem cinema, eu era aquele tipo de pessoa que dizia “vou esperar chegar na locadora” (Sim jovens, existiam lojas que alugavam filmes em VHS ou DVD para as pessoas assistirem em casa) no meu caso, na casa das tias, porque eu mesma não tinha um aparelho de vídeo em casa.



A cidade era pequena, mas a vontade de viver como a cidade grande sempre existiu então a escola organizava excursões para shoppings de cidades maiores (oi? a excursão era para o museu gente, mas eram 30 minutos de visitação no museu contra 4 horas de andança em um shopping, “ata”). As opções de passeio durante as excursões eram sempre: assistir um filme no cinema e comer em uma lanchonete da moda, como minha família não tinha muitos recursos, eu precisava escolher uma opção e sempre escolhia a lanchonete. Eu poderia levar lanche de casa e ir ao cinema, mas achava desnecessário porque em alguns anos o filme chegaria até a locadora (Anos? É galera na época que a internet era mato as coisas demoravam para caramba viu?).
Minha primeira ida ao cinema foi aos 12 anos para assistir o filme “Pequeno Vampiro” que aliás, voltei ao cinema para assistir em versão de animação esse ano.  



No ano 2000 eu me impressionei muito com o tamanho da tela, as poltronas e o som, contudo minha impressão sobre cinema não mudou naquela época, continuei esperando os filmes chegarem a meios mais acessíveis e substituindo o cinema por lanchonetes, parques de diversão entre outras formas de lazer.

No meu primeiro casamento (sim, houve mais de um) ir ao shopping aos finais de semana era um programa constante, porém ainda assim o cinema não era cogitado. Em meados de 2012 eu me mudei para uma cidade bem maior do que a antiga e com várias opções de cinema: 3 shoppings, cinema de rua, cine teatros, etc. Ainda assim o cinema era visto como última opção de lazer, cogitado apenas quando o tempo e a distância não permitiam outro divertimento.
Os shoppings da cidade aumentaram, os sites de cupom desconto começaram a oferecer ingressos para o cinema por valores mais acessíveis, as locadoras sumiram. Vários motivos para que o cinema virasse prioridade certo? Errado, a vida melhorou e veio a TV por assinatura onde os filmes chegavam do cinema em poucos meses para o conforto da minha casa e mesmo quando o orçamento não permitiu manter a TV por assinatura ainda tinha a opção das plataformas online para assistir filmes (Netflix).
Mas, em 2017 alguma coisa aconteceu. Dizem que é a eminência dos 30 anos chegando, aquela idade entre a juventude e a vida adulta que mistura animação com dor nas pernas, aquela época em que queremos cadeiras nas boates sabe? Descobri o maravilhoso mundo das poltronas agora com várias opções de modelo - algumas até gigantes, do ar condicionado bem distribuído, da pipoca perfeita, do som e da meia entrada para estudante. O cinema se tornou primeira opção de lazer, as vezes quando amigos sugerem um passeio para se divertir eu esqueço completamente que eles querem conversar e sugiro o cinema.
Cheguei naquele ponto da vida que assisto atentamente todos os trailers que passam antes do filme porque tenho a certeza que vou assistir aqueles filmes depois, meu marido e eu temos uma piada interna que consiste em observar os cartazes da parte de fora do cinema e dizer quando já assistimos a sequência inteira dos filmes anunciados exatamente como estão nos cartazes. Agora eu escolho poltronas, não os lugares isso já é um padrão em alguns cinemas, eu escolho o modelo das poltronas, as vezes espero o horário em que o filme que eu quero está em sala específica porque prefiro as poltronas dela. A que ponto chegamos? Ao nível de saber exatamente qual filme precisarei assistir em uma sala 3D porque os efeitos merecem essa atenção, ligar o aplicativo de identificação de músicas para ter a trilha sonora depois e conhecer a receita das pipocas de cada um dos cinemas da cidade.
Um caminho sem volta é aquele meme “nunca diga que dessa água não bebereis, porque vai que, além de bebereis se afogareis nessa água”.


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