18 abril 2018

Utilidade ou tradição?

Você realmente usa todos os seus móveis ou apenas montou uma casa tradicional baseada nas casas que você conheceu? Eu fiz esse questionamento quando conheci os apartamentos de construtoras populares, eram 47m² no total. Nesta metragem havia a seguinte divisão: 2 quartos, 1 banheiro, 1 cozinha, 1 sala (que poderia ser 2 ambientes “estar e jantar”, 1 lavanderia. Todos sabemos que existem pessoas que moram em lugares bem menores, porém para quem veio de uma cidade pequena onde, pelo mesmo valor, conseguiria uma grande casa de 3 quartos e com quintal, isso foi uma novidade. Com a maior ferramenta moderna de auxílio em mãos, a internet, sai a procura de decoração para apartamentos/casas pequenas e me deparei com um surpreendente mundo minimalista, funcional e em alguns casos até mais luxuoso do que alguns grandes espaços.

Apartment Therapy

Diversos motivos fazem com que as pessoas optem por uma quantidade menor de móveis dentro de um apartamento, o meu foi dinheiro mesmo. Um desses fatores poderia ser a necessidade de um ambiente “arejado”, as alergias e doenças respiratórias fazem parte do mundo atual devido a carga de poluição das grandes cidades, a partir daí surge a necessidade de que, pelo menos em casa ou no ambiente de descanso, o ar seja puro e circule com mais facilidade. Móveis e decoração ajudam a acumular sujeira, quanto mais objetos mais coisas para limpar e mais tempo necessário para realizar essa limpeza. Tapetes, flores artificiais, toalhas de mesa, cortinas de tecido e até mesmo sapateiras dentro do quarto, tudo isso foi abolido dos novos apartamentos. Durante as refeições (quando ainda existe mesa, porque agora temos os balcões de pedra) no lugar da tradicional toalha de tecido aparecem os jogos americanos, algumas vezes de plástico, são como mini toalhas individuais que fazem o papel de bandeja, utilizadas na hora de comer e retiradas em seguida.

Taste of Home
Os sapatos utilizados na rua permanecem na lavanderia para que a sujeira de fora não entre para os demais cômodos, adaptando um tradicional costume oriental de não utilizar sapatos dentro de casa e mantendo a limpeza por mais tempo, eliminando automaticamente a necessidade de tapetes que serviam originalmente para limpar a sola do sapato quando chegasse da rua. Cortinas são constantemente substituídas por persianas em material sintético e antialérgico com sistema próprio de bloqueio de raios solares e as flores, bem, as flores artificiais já não são tão admiradas com tantas opções de cultivo de flores naturais e até mesmo temperos para ambientes internos que além de úteis não juntam poeira né?

crimsonwaterpolo.com

Antigamente era comum todas as gerações de uma mesma família morar em uma mesma casa que passava por testamento aos filhos, aos netos e por assim em diante. Hoje em dia, apesar dos inventários de herança continuarem, as novas gerações não se prendem mais a sua cidade de origem, com o acesso a informação e a globalização do conhecimento é muito comum que pessoas se mudem a procura de formação acadêmica ou mesmo de novas oportunidades de emprego, isso acabou adaptando a quantidade de bens acumulados nas famílias, considerando que nem sempre os móveis se mudam junto com as pessoas.
Por exemplo: a tradicional cristaleira, objeto comum na maioria das casas no século passado, hoje em dia se tornou artigo de luxo opcional na maioria das casas, podendo ser facilmente substituída por um suporte de taças preso ao teto, logo acima do balcão da cozinha.
A sala de televisão vem sendo adaptada aos novos apartamentos dividindo espaço com uma mesa de refeições ou mesmo sendo acoplada ao quarto anulando a necessidade de um sofá, por exemplo. Enquanto isso, em outras situações o próprio sofá anula a necessidade de uma cama, quando transforma-se em sofá-cama permitindo que a sala de TV seja convertida em dormitório quando necessário.
A partir daí podemos perceber que mesmo quando abrirmos mão de algum móvel por falta de opção (não poder compra-lo ou não ter espaço) talvez ele não seja imprescindível, seja só mais uma memória afetiva de uma tradição antiga que nos fez acreditar que uma casa precisaria daquele móvel para ser completa.



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PÉSSIMA PESSOA
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